O diretor do Presídio Masculino de Lages (SC), preso na quinta-feira (26) suspeito de conceder benefícios a um detento, recebia picanha e outras vantagens em troca. O servidor, que é policial penal, também é apontado na investigação por estabelecer relação pessoal e funcional com a companheira do apenado.
Rodrigo Barroso passou por audiência de custódia na tarde de quinta e seguiu preso nesta sexta (27). Procurada, a defesa dele disse ainda não ter acesso aos autos principais do caso e, por isso, não apresentará parecer sobre os fatos.
A prisão em caráter preventivo ocorreu por meio da operação Carne Fraca. Segundo o Ministério Público (MP), o nome foi escolhido por “remeter ao conjunto de vantagens indevidas identificadas no curso da investigação, especialmente à entrega reiterada de carnes nobres ao agente público”.
Na ação de quinta, os investigadores apreenderam uma peça de picanha durante o cumprimento dos quatro mandados de busca e apreensão.
“A denominação também remete, simbolicamente, à fragilidade ética evidenciada nas condutas apuradas, nas quais a função pública teria sido vulnerabilizada por interesses privados”, informou o órgão.
O preso, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri), foi afastado do cargo. Em paralelo, a pasta vai instaurar uma comissão na unidade para investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o cumprimento das normas (íntegra no fim do texto).
Investigação
O MP não detalhou como os fatos ocorreram, mas disse que as vantagens “integrariam um contexto contínuo de troca, no qual benefícios administrativos eram seguidos de vantagens materiais e pessoais”. Isso caracterizaria uma relação estável de reciprocidade e a utilização da função pública para atender interesses privados.
A suspeita é de que as irregularidades ocorreram entre março e outubro de 2025. Além do crime de corrupção, são apurados a violação do sigilo funcional e advocacia administrativa.
As investigações tramitam em sigilo e são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC). Os órgãos reúnem membros do MP e das forças de segurança do estado.
O que disse a Secretaria de Justiça de SC
A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informa que acompanhou o cumprimento dos mandados judiciais no âmbito da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta quinta-feira (26) pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC).
A operação apura possíveis crimes envolvendo corrupção, violação de sigilo funcional e favorecimento indevido a apenado dentro de uma unidade prisional da Serra Catarinense, tendo sido cumprido mandado de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário.
A Pasta reforça que não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus servidores e que atua de forma permanente para garantir a legalidade, a transparência e a integridade no âmbito do sistema prisional catarinense.
O policial penal citado na investigação foi imediatamente afastado de suas funções, conforme decisão judicial.
Paralelamente, a Secretaria está instaurando uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o fiel cumprimento das normas e protocolos institucionais.
A Sejuri permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e adotará todas as medidas administrativas cabíveis no âmbito de sua competência.
Portal Guaíra com informações do G1

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